Cuidados para que traumas não afetem nossa saúde mental

É preciso que sobreviventes e familiares que passaram pela perda recebam cuidados para que não desenvolvam transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Cuidados para que traumas n
22/03/2019
Por: Funerária Araújo-Orsola

Diante do acontecimento de tragédias, como a da escola  Professor Raul Brasil, ocorrida no último dia 13/03 em Suzano (SP), é preciso que sobreviventes e familiares que passaram pela perda recebam cuidados para que não desenvolvam transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), um transtorno de ansiedade que pode gerar sintomas vários meses ou anos após o incidente.

 

Segundo profissionais de saúde mental, esses sintomas podem acometer até pessoas que não têm relação com as vítimas, mas que tiveram conhecimento por meio da mídia e ficaram abaladas. Estas também devem ser acolhidas e ajudadas a superar o luto coletivo causado pela tragédia.

 

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Acompanhamento psicológico

Os cuidados consistem em acompanhamento por meio de sessões de terapia, para que os enlutados possam dar vazão às emoções e não desenvolvam comportamentos nocivos como, por exemplo, o consumo abusivo de álcool. Um quadro de ansiedade extrema, no qual a pessoa sente dificuldades para se expressar, pode até necessitar de medicação para amenizar os sintomas.

 

E nos casos em que os sentimentos negativos persistem por mais de um mês e são acompanhados por pesadelos, medo e sintomas de depressão, existe a possibilidade de que o transtorno de estresse pós-traumático tenha se instalado e este pode causar problemas para dormir, dificuldade de concentração, culpa, entre outros.

 

Especialistas no assunto afirmam que o mais importante é dar apoio psicológico para que as pessoas enxerguem a tragédia por outro ângulo, se sentindo amparadas e protegidas para que possam se cuidar, valorizar mais a vida e a família, ter urgência em buscar a felicidade.

 

Trauma vicário ou estresse traumático secundário

Até pessoas que não estavam presentes na tragédia e não têm qualquer relação com as vítimas podem sofrer seus impactos. E o primeiro passo para superar o trauma vicário é aceitar o sofrimento provocado.

 

Luto coletivo

Bombeiros e profissionais de saúde que lidam com pessoas traumatizadas estão mais sujeitos a esse quadro, por isso precisam estar preparados para lidar com sofrimento intenso, caso contrário, podem chegar a um limite e até adoecer.

 

Desta forma, o trauma precisa ser trabalhado de maneira coletiva, pensando em formas de unir as comunidades envolvidas, pois é do coletivo que vem a força de reconstrução.

 

Sintomas

Os sintomas do trauma vicário ou estresse traumático secundário são semelhantes aos do TEPT, mas menos intensos. A condição pode envolver fadiga crônica, tristeza, raiva, exaustão emocional, vergonha, medo e desconexão, entre outros sentimentos. Pessoas que vivenciaram experiências semelhantes correm o risco de sofrer uma acentuação dos sintomas e desenvolver o estresse traumático secundário.

 

Atenção especial aos sobreviventes

Os sobreviventes são, ao mesmo tempo, testemunhas. Estas são duas experiências muito fortes, por isso o cuidado deve considerar os registros sensoriais vinculados ao trauma, como barulhos, cheiros, cenas e movimentos. Pois caso não sejam tratados, o trauma pode permanecer.

 

Estágios de superação

Segundo a revista da American Psychological Association, os sobreviventes de uma tragédia passam por três etapas no processo de superação.

 

1 - Imediatamente após o evento, a fase envolve sentimentos de negação e descrença. Nesse momento, a ajuda profissional deve oferecer informações e explicar que essas reações são normais.

 

2 - Nesta fase, algumas semanas após o ocorrido, os sentimentos mais comuns são medo, raiva, ansiedade, dificuldade em prestar atenção, problemas para dormir e depressão.

 

3 - E a última fase, que se encontra vários meses após  o massacre, os sentimentos negativos tendem a se dissipar. No entanto, quando persistem, precisam de cuidados especiais.

 

Homenagens

A homenagem às vítimas também são eficientes na recuperação, segundo estudos.

 

Baixe também o checklist: Documentos necessários para entrada na pensão por morte.

 

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