Situações de engasgo estão entre os momentos mais angustiantes para pais e cuidadores.
Em poucos segundos, o medo toma conta e a dúvida surge: “estou fazendo a coisa certa?”
Justamente por isso, manter-se atualizado é fundamental. As orientações sobre desengasgo passaram por mudanças importantes, baseadas em novas evidências científicas, e seguir práticas antigas pode colocar a criança em risco.
Em outubro de 2025, a American Heart Association (AHA), referência mundial em reanimação cardiopulmonar (RCP) e primeiros socorros, publicou novas diretrizes para o atendimento de bebês e crianças em situações de engasgo. Essas atualizações impactam diretamente as orientações que devem ser adotadas no dia a dia por famílias, educadores e cuidadores.
Neste artigo, você confere as orientações atualizadas, entende o que mudou, quando agir, como agir e quais erros devem ser evitados.
Por que as orientações foram atualizadas?
As orientações não são estáticas. A AHA revisa suas recomendações a cada cinco anos, com base em estudos clínicos, análises de casos reais e avanços científicos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as diretrizes anteriores eram de 2020. As novas normas trouxeram ajustes importantes, principalmente na forma de realizar compressões em bebês, garantindo maior eficácia e segurança.
Essas mudanças reforçam um ponto essencial: boas intenções não substituem a técnica correta.
Orientações sobre desengasgo: quando intervir e quando apenas observar
Antes de qualquer manobra, as orientações são claras: nem todo engasgo exige intervenção imediata.
As manobras só devem ser realizadas quando há obstrução severa das vias aéreas. Os sinais incluem:
- Incapacidade de tossir
- Incapacidade de chorar
- Dificuldade ou ausência de respiração
- Mudança de cor da pele (pálida ou arroxeada)
- Corpo mole ou perda de força
Se a criança ou o bebê consegue tossir, a orientação é observar e estimular a tosse, sem interferir.
Caso haja sinais de obstrução grave, as orientações indicam:
- Ligar imediatamente para o SAMU (192)
- Iniciar as manobras adequadas conforme a idade
Orientações sobre desengasgo em bebês (até 1 ano)
As orientações sobre desengasgo para bebês sofreram uma das mudanças mais relevantes nas novas diretrizes.
Passo a passo atualizado
- Apoie o bebê de bruços sobre o antebraço
- Sustente a cabeça e o maxilar com a mão
- Mantenha a cabeça mais baixa que o corpo
- Aplique cinco pancadas firmes nas costas
- Se não houver desobstrução, vire o bebê de barriga para cima
- Faça cinco compressões torácicas no centro do peito, usando o calcanhar da mão
- Alterne pancadas e compressões até a desobstrução ou perda de consciência
Confira como fazer as pancadas:

Fonte: American Heart Association Guidelines

Fonte: American Heart Association Guidelines
Nunca realize compressões abdominais em bebês, pois há risco de lesões internas.
O que mudou nas orientações sobre desengasgo em bebês?
Antes, as compressões torácicas eram feitas com dois dedos. Estudos recentes mostraram que essa técnica não atingia a profundidade necessária para expulsar o corpo estranho.
Por isso, as novas orientações recomendam o uso do calcanhar da mão.
Orientações sobre desengasgo e RCP em bebês inconscientes
Se o bebê perder a consciência, o indicado é iniciar imediatamente a ressuscitação cardiopulmonar:
- Coloque o bebê em superfície firme e plana
- Faça 30 compressões torácicas com os dois polegares
- Observe se o objeto está visível; só retire se conseguir ver
- Realize duas ventilações, cobrindo boca e nariz
- Continue até o socorro chegar ou o bebê respirar novamente

Fonte: American Heart Association Guidelines

Fonte: American Heart Association Guidelines
Orientações sobre desengasgo em crianças a partir de 1 ano
Para crianças maiores, as orientações também foram atualizadas.
Passo a passo recomendado
- Posicione-se atrás da criança
- Aplique cinco pancadas firmes entre as escápulas
- Se não resolver, faça cinco compressões abdominais
A manobra de Heimlich não é mais a primeira ação, como era anteriormente. Agora, ela é utilizada apenas após as pancadas nas costas não surtirem efeito.

Fonte: American Heart Association Guidelines
Como realizar as compressões abdominais corretamente
- Envolva a cintura da criança
- Feche uma das mãos em punho
- Posicione acima do umbigo e abaixo do osso do peito
- Faça movimentos rápidos, firmes, para dentro e para cima

Fonte: American Heart Association Guidelines
Alterne pancadas e compressões até a expulsão do objeto ou perda de consciência.
Quando não é possível fazer compressões abdominais
Se a criança estiver em cadeira de rodas ou se não for possível envolver a cintura, as orientações sobre desengasgo indicam compressões no peito:
- Coloque o punho no centro do peito
- Posicione os braços sob as axilas
- Puxe a criança para trás, gerando impulso

Fonte: American Heart Association Guidelines
Orientações sobre desengasgo e RCP (Ressuscitação cardiopulmonar) em crianças inconscientes
Se a criança perder a consciência:
- Deite-a em superfície firme
- Faça 30 compressões torácicas, com uma ou duas mãos
- Verifique se o objeto está visível
- Realize duas ventilações boca a boca, tampando o nariz
- Continue até o socorro chegar

Fonte: American Heart Association Guidelines
Diferença entre líquidos e sólidos
Um dos erros mais comuns está relacionado ao tipo de engasgo. As manobras descritas são indicadas principalmente para obstrução por sólidos, já que líquidos não causam obstrução total das vias aéreas.
Em casos de engasgo por líquido:
- Retire o excesso de líquido da boca
- Coloque o bebê em posição vertical
- Observe; geralmente a respiração se normaliza
- Se necessário, estimule suavemente as costas
- Se houver perda de consciência, inicie RCP
Erros que devem ser evitados
As orientações sobre desengasgo também alertam para práticas perigosas:
- Tapinhas leves não resolvem obstrução grave
- Introduzir o dedo na garganta pode empurrar o objeto
- Fazer manobras sem sinais claros de obstrução
Conhecer o que não fazer é tão importante quanto saber agir.
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Por que aprender as orientações sobre desengasgo pode salvar vidas?
A AHA recomenda que pais e cuidadores realizem cursos de primeiros socorros, como o Família e Amigos, com duração média de duas horas. Aprender de forma prática aumenta a segurança, reduz o pânico e melhora o desfecho em situações reais.
Informações atualizadas salvam vidas
As novas orientações sobre desengasgo reforçam que informação atualizada salva vidas. Entender quando agir, como agir e o que evitar faz toda a diferença nos primeiros minutos de uma emergência.
Mais do que decorar manobras, é essencial compreender o motivo de cada orientação e confiar em protocolos baseados em ciência. Preparação, calma e conhecimento são os maiores aliados na proteção de bebês e crianças.
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